21/04/2020

Monica, a anti-coaching, irá resolver seus problemas!


No final do ano passado estava eu, olhando meu feed do Instagram, quando me deparo com uma postagem um tanto quanto... Confusa a primeiro momento? Só sei que me chamou a atenção, principalmente com as palavras empregadas:

Quando que ia ver a palavra "positividade" e "tóxica" numa mesma frase?


Bom, lendo aqui e acolá vi que estou por fora totalmente desse mundo de coachs, mindsets, fórmulas de sucesso, a vida que sempre sonhei, etc e tal (que a propósito: acho BALELA). Até porque nesse ponto sou sortuda que sou completamente desbocada sobre, porque a minha vida é a minha vida e só eu sei da minha realidade e verdade. Mas percebi que não dá pra fugir muito dessa gente, que insiste em vender algo completamente fora da realidade de muitos e acabo numa série de questionamentos de "caralho, mas sou positiva e não consigo nada". É, mas meu lado racional tá berrando "ôh sua tonta! Tá caindo na lábia dessa perfeição que não existe e nunca existiu DE NOVO". Aí volto na real e fico "é, tem razão".

Na real, eu diria que tudo isso se chamaria "falsa positividade". Por que vamos lá: se positividade fosse tóxica de fato, estaríamos fudidos. Ser otimista não é enganar a si, mas ver tudo sobre outra perspectiva e pensar que tudo poderia ser pior. Pior MESMO. Você tem todo direito de reclamar de algo ruim, de expor sua indignação, de estar puto... Até porque sentimentos são para serem expressados. Uns podem e outros não? De que foi a ideia estúpida que chorar é fraqueza, mas esboçar um sorriso o tempo todo é sinal de ser forte? Meus mais sinceros "vá pra puta que pariu" (com gosto).
Lembrei de um perfil sensacional chamado Coach de Fracassos. Óbvio que é um perfil de humor, ácido e irônico e não necessariamente levamos tudo ao pé da letra (e nem sempre devemos). Mas tem um lance muito legal que é "humanizar o fracasso". Sejamos honestos: todo mundo fracassa. Os grandes nomes da história fracassaram mil vezes (se não mais) pra terem seu legado e muitos sequer tiveram seus nomes reconhecidos (isso quando não recebem reconhecimento pós-morte). E cara, é normal. Da mesma forma que precisamos sentir a tristeza pra saber o que é a felicidade, o contrário ocorre e isso é válido. Sentimentos são complexos. Lógico que ninguém gosta de se sentir fracassado, ninguém gosta de se sentir triste, ninguém gosta de se sentir excluído e outros mil adjetivos e sentidos. A menos que você seja louco/a, ninguém gosta de sentir as coisas ruins. Isso é óbvio, uma matemática que até eu sei resolver de cabeça (e olha que sou péssima para exatas)!

Eu fico PISTOLA real quando tô apenas num dia ruim e me vem algum/a fulano/a falar que "vai dar tudo certo". A questão não é que tô brava com a pessoa ter vindo me dar uma moral (não recuso de forma alguma alguém vir me animar quando o dia está uma merda) e sim porque essa coisa de "vamos pensar positivo que isso vai embora" por falar NÃO VAI AJUDAR. A sensação não vai embora, o sentimento ruim ainda tá ali na sua cola. Só depois que ele te inferniza por completo que ele vai embora como se nada tivesse ocorrido. Se fosse assim, pessoas pobres e/ou sem privilégio algum em suas carreiras também estariam em patamares de sucesso se "pensar positivo" realmente resolvesse os problemas num passe de mágica. Sucesso e positividade não são produtos! Não é remédio milagroso!
Claro que essa é a minha opinião baseado na minha vivência. Ter sucesso na vida, ter as coisas que você quer, ter a vida de Instagram e Pinterest não vão se resolver com vídeo motivacional e sim com a mão na massa, com processo, de grão em grão e ter noção dos seus privilégios ou a falta deles. Não estou falando pra ficarmos no modo "óh céus ó vida que azar", mas ficar só achando que alguma boa solução cairá do céu só porque "ah mas a lei da atração", tenho péssimas notícias...

Antes de encerrar esse texto, deixo um vídeo pra vocês assistirem e refletirem (acho que na real vai esclarecer muito mais do que eu me estender mais neste assunto):


Lembre-se: Bill Gates é bilionário e pode ler mil livros por mês... Você não. A menos que você corra atrás. É isso.

Agora, deixa eu terminar meu café que tenho muita coisa pra correr atrás e mesmo assim posso fracassar a qualquer momento... Mas tudo bem, errar é humano. Fui!

5 comentários

  1. Uma coisa que tenho me conectado bastante é com minha tristeza e felicidade. Acho que só quem tem sentido as duas coisas, realmente faz você crescer.
    Eu diria que o fracasso é uma coisa mais que normal. Mas a forma como você vai retornar e subir na vida, é que é a resposta verdadeira.
    Bill Gares, é bilhonario sim. Mas antes de possuir dinheiro, ele fracassou diversas vezes, e assim como toda pessoa normal, qualquer um pode ser bilhonário, basta saber como se cresce no fracasso, como se mantém alimentado da realidade e como faz a imaginação se tornar realidade.
    Realmente, dói muito fracassar, mas é muito bom saber que você está tentando de novo.
    dl-wgy.blogspot.com
    Seguindo ~

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Aliás, toda tristeza deve ser sentida. A questão é que você não pode viver nela. Tudo bem você ficar um dia mal, porque você tem que sentir aquela dor, entender, e aí sim descansar com ela. Mas quando ela mora com você por dia, semanas, meses e ano, isso não é uma dor, isso é um esmagamento. E isso não tá certo.

      Excluir
  2. Acho que o seu texto é a versão 2020 do texto do Freud de 1930, O Mal-estar na Civilização (tradução literal seria "na cultura", but), onde ele fala sobre como a gente inventou a religião por um mecanismo psíquico e que a falácia do homem que a busca da felicidade, que não existe por completo e portanto nunca será encontrada. É interessante pensar em como a sociedade NÃO ACEITA os sentimentos negativos, que às vezes você precisa colocar pra fora a frustração, a tristeza, se SENTIR mal e é isso. E aí some a tudo isso um sistema movido ao dinheiro que te faz acreditar que você pode comprar absolutamente qualquer coisa, que você vai vencer na vida se fizer esse curso, comprar esse item, enfim... Eu podia ficar horas discorrendo aqui.
    Quando a quarentena acabar a gente PRECISA sair pra tomar um café e ter essas conversas filosóficas Moh, HUSHAUHSUHAUHS!

    Beijos <3

    ResponderExcluir
  3. sim. sim sim sim sim. simplesmente sim.a onda de coaching me irrita. desde mais nova eu sempre ODIEI livros de auto ajuda e coisa do tipo. eu realmente me vejo num esconderijo na internet. não. não quero ser positiva. quero despejar minhas amarguras e frustrações. colocar pra fora, sabe? e parece que isso persegue a gente.
    enfim. concordo com suas opiniões e realmente, às vezes a gente só quer reclamar um pouquinho...

    nova seguidora aqui :)

    ResponderExcluir
  4. Mooooh, menine, depois de uns trezentos anos, consegui comentar aqui finalmente!!!
    O que uma quarentena não faz, né não?

    Essa questão da "positividade tóxica" ou, como você bem nomeou, "falsa" - não importa o nome, mas essa coisa de ignorar a raiz de um problema ou ignorar que as coisas podem simplesmente dar errado para jogar a ideia de que com positividade a gente consegue tudo, me incomoda MUITO também. Quando você disse "Da mesma forma que precisamos sentir a tristeza pra saber o que é a felicidade, o contrário ocorre e isso é válido", eu lembrei instantaneamente de Divertidamente hahahaha Esse filme trata disso de uma forma tão criativa, e acho que seria ótimo se todo mundo assistisse e refletisse um pouquinho.

    E eu também amo o Coach de Fracassos, btw. Nada mais realista hahahaha Na real, o importante é ter equilíbrio, eu acho. E fracassar é MUITO importante, porque é assim que a gente tira o maior aprendizado. E sentir é muito importante, sejam esses sentimentos bons ou ruins. Enfim, só posso concordar com as suas reflexões, porque sigo o mesmo raciocínio.

    E aliás, esse vídeo do Cadê a Chave é ótimo! Como eu fico com raiva desse papo de coach, gente do céu! xD

    Beijos, se cuida! ;*

    ResponderExcluir