Desde outubro, quando tirei uma semana de férias, refleti muito sobre mim mesma.

A verdade é que desde antes da pandemia, não me sentia feliz com nada. Vivia no automático.
Todos do meu ciclo estavam vivendo suas vidas e eu me sentia muito atrasada com tudo e o fantasma da comparação retornou. Me sentia um lixo de pessoa. Nada me motivava, preferia ficar isolada, inventava umas desculpas, vivia na minha porque "não tinha novidades pra contar".
Estava desempregada, não colhia os frutos de nada do que fazia (foi aí que me liguei que meritocracia é o caralho e vivo numa família que acredita nisso), larguei a mão de hobbies artísticos e pensava que "nada do que faço tá bom, então, foda-se não vou fazer nada". Até então, foi assim.
Achava que o problema era (unicamente) dinheiro. Passou um tempo, pandemia veio, um tempo depois consegui um emprego. Pensei que seria a solução dos meus problemas (spoiler: só que não); Não me paga o que realmente o mercado oferece, mas pra quem não tinha mais 1 real no bolso, quaisquer mil era lucro.
Não existe almoço grátis mesmo. Tive que aturar pessoas falando asneiras e duvidando da minha capacidade (nota mental: nunca acreditar em quem nunca abriu um Photoshop na vida), chorar no banheiro do trabalho, sentir cansaço mental por ter que mascarar que queria voar no pescoço do cliente que insistia em vir na nossa sala quando era proibido, etc etc etc etc etc etc etc etc... A única coisa que me dava motivação de me deslocar eram as amizades que fiz... Porque se for contar o resto, era melhor ficar em casa (porém não ia ter grana, oh lord). Conseguia comprar minhas coisas finalmente sem passar sufoco? Pagar minhas contas? Ter um pouco pra poupar? Sim para todas as alternativas. A saúde financeira ia caminhando até que bem. Mas e a saúde mental? Onde ficou? Minhas motivações, minha vida de antes? Meus sonhos? Se viram perdidas no limbo da minha mente.
Falta pouco pro fim do ano. Sinceramente? Não tenho mais otimismo pros clichês de fim de ano. Digo: eu amo as festas, o sentimento de mais um ano concluído, ritmo diferente... Mas não tenho mais esperança de um ano diferente de todos. A menos que tenha uma drástica mudança, um 360º ou qualquer coisa assim. Minha vida nesse 2025 (e anos anteriores a esse) não foram totalmente uma merda, pois sempre me agarrei a momentos maravilhosos, piques de alegria e dopamina de vez em quando, alguns consumos (das quais não deveria me orgulhar, mas vocês entenderam) de desejos realizados e afins. Porém, cheguei no ponto que por fora me sinto ok e por dentro oca. A única coisa que me salvou foi de pouco em pouco voltar a fazer coisas manuais, ter um tempo mais offline e limitar meu tempo frente às telas, porque é notório o quanto me faz mal e tenho perdido tempos precisos da minha vida.
Meu corpo atual está mostrando finalmente seus sinais ruins: partes do meu físico que não estão do jeito que quero (infelizmente ligo pra estética, me perdoa sociedade), meu cérebro está derretendo, me sinto desanimada, faz anos que não faço um examezinho de sangue, tenho comido mais porcarias do que devia, meus cabelos ficando mais ralos, não usufruo de nada do que compro com meu trabalho pois minha preocupação é meu sono estar em dia (e não está também lol), meu mental tá colapsando, enfim... Sendo honesta, não dá mais pra ser assim e principalmente: não quero mais estar nesse lugar.
A verdade é: voltei a ser desorganizada, voltei a ficar procrastinadora, voltei a minha antiga zona de conforto de "se eu não fazer nada, nada vai sair errado", voltei a não ter constância. É péssimo, eu sei.
Feliz com tudo o que conquistei até aqui, apesar dos pesares, mas sinto que poderia estar melhor e sinto que tenho muitos pontos a melhorar. Não tenho uma perspectiva otimista pros próximos anos, mas não significa que não possa viver o que dá pra se viver.
Esse é meu último post do ano! Desejo à quem ler, uma ótima passagem e que tenhamos um ano mais de boa... Se é que é possível!
eu acho que o pior é sentir que temos um relógio natural ditando que até certo tempo temos que ter conquistado tal coisa porque isso define nosso valor. até podemos ter a consciência de que não é assim que as coisas acontecem, que cada um tem a sua jornada, que tá tudo bem não conseguir em x tempo porque a vida é muito mais do que isso.
ResponderExcluiré complicado. tô tentando fazer as pazes com isso, porque sinto que minha depressão me deixou para trás por muitos anos. enquanto me recuperava, outras pessoas continuavam a vida e conquistavam o diploma, coisa que ainda tô no processo. é difícil ficar se comparando, e infelizmente a condição humana é essa. racionalmente, sabemos que não é assim que a vida funciona, mas ainda queremos atingir um objetivo tal o mais rápido possível.
por isso que acho besteira ficar fazendo meta. não tenho esse nível de controle sobre minha vida. sim, quero ler bastante livro em 2026, mas do que adianta marcar um numeral, uma data limite, sendo que posso escolher querer fazer outras coisas nesse meio tempo? para quê fazer essa pressão em algo que deveria ser natural para o meu bem estar? além de que, vários imprevistos podem acontecer no caminho. no fim, metas de começo de ano nunca são realmente resolvidas.
quem precisar delas para ser uma pessoa melhor, que vá em frente. mas é isso que penso.