04/07/2021

O real motivo de eu gostar de Free!

O ano é 2013. Ano que iniciei a faculdade, ano que levei um pé na bunda e sofri pra caramba, ano que dei um basta nas minhas "amizades" (que não eram no fim das contas, vão pra bem longe de mim com deus!), que fiz muitas escolhas que resultaram em perdas. Eu o chamo de "o melhor e pior ano" da minha vida.

Sempre fui ensinada que os estudos me abririam portas, isso inclui ter um diploma. Nesse pontos, meus pais não mentiram. Mas acho que a faculdade em certo ponto é superestimada. Não estou aqui pra julgar se você tem um diploma colocado na parede ou não, mas é que me botaram tanta pilha que, antes mesmo de entrar no Ensino Médio já tinha muitas ideias do que cursar. Estava confiante que iria pra Gastronomia, porém, no fim das contas eu vi que gostava mais de desenhar e olhar roupas e no fim das contas não estava errada. Era isso e muito mais!

Voltando ao fatídico ano. Estava cansada das pessoas da minha antiga escola, sendo bem, mais bem honesta... Então, ir pra faculdade e deixar a maioria dessas pessoas pra trás (salvo exceções) foi a melhor coisa. Um alívio, um respiro, finalmente... Zero questões de voltar atrás. Estava tudo indo muito bem, até que terminei um relacionamento de 5 anos com alguém que gostava (sim, gostava, no passado mesmo). Na real, foi a pessoa que me chutou do relacionamento. Fiquei arrasada completamente. Naquele primeiro ano de faculdade, minhas amizades recém feitas e relacionamentos com colegas não tinham noção que eu estava mal... E mal a ponto que não estava sequer pronta pra falar abertamente sobre, porque realmente doía. Pra piorar, naquele ano estava cheia de certas pessoas, que apontaram o dedo na minha cara, deixando nas entrelinhas que fazia corpo mole e que eu não era responsável... Sendo que: 1. morava longe; 2. acordava muito mais cedo e pegava transporte público; 3. tinha dias que sequer conseguia dormir porque tinha trabalho e tinha que lidar com sentimentos ruins do término. Sabem quantas dessas pessoas perguntaram se "eu estava bem" ou que precisasse de alguma ajuda (nem que seja um apoio moral)? Nenhuma. Pois é. Foi aí que dei um basta! Não queria mais saber. F*-da-se tudo, f*da-se todos! Saí do curso extracurricular que mais gostava (!!!) porque estava cheia das pessoas. Não interessava se as pessoas falavam isso "por bem" porque não era verdade e eu sei que não era. Era só pra me ferir e pra me dar o dobro de estresse. Empatia? Pffffff. Não mudei minha opinião ainda sobre. Alguns meses após, precisei sair de outro curso que gostava e que amava, mas desta vez era mais por causa da carga de trabalhos e do deslocamento. Já chegava o pó da rabiola e nada adiantava fazer sendo que meu rendimento não era o melhor de todos. Chegava a dormir antes de ir e tinha que explicar pras crianças que faziam aula comigo porque eu estava "cochilando" 20 minutos antes de entrar na aula.

Tudo isso era triste pra mim. Fim de ciclos são desgastantes demais. Tudo isso em poucos meses daquele ano. Ninguém me ensinou que precisava lidar com sentimentos, de ser adulta, de ter que lidar com pessoas que conviveram a vida toda contigo e de repente se voltarem contra suas escolhas ao invés de apoiá-las.

Precisava ocupar minha cabeça com coisas novas e pessoas novas...
Comecei a levar o desenho mais a sério, comecei a ir em lojas de materiais artísticos, minhas (novas) amigas começaram a me levar pra comer em lugares que jamais imaginei... Mas ainda sim, parece que faltava alguma coisa... Mas não aquela coisa que precisa ser preenchida, mas aquele bônus que é sempre bem vindo?

Diminui muito a frequência de ver animes. Talvez porque meus gostos estavam mudando e se reformulando? Provavelmente. Mas é aqui que veio uma das minhas maiores... Forças? Não sei explicar ao certo, mas veio muita alegria, risadas e piadas bobas. Em Julho de 2013 foi lançado (o anime) Free!, cujo tudo começou com um hype enorme por causa de um vídeo de alguns poucos minutos: como uma pequena propaganda da Kyoto Animation em Abril (acho?) e depois de uma formação de fandom em tempo recorde, calhou que virou um anime (ou eles já planejavam que seria). Não pequei esse começo, mas tinha visto a propaganda depois  e... Não me despertou tanta atenção assim, apesar que fui pega pela curiosidade ainda assim. Hoje em dia reconheço cada um, mas na época eles me pareciam muito diferentes (principalmente no traço da animação) e ficou por isso mesmo, até rodar pela rede mundial de computadores a versão final real oficial com direito a teaser, nomes e uma história. Pensei "por quê raios um fanservice descarado tá me encucando". Estaria eu tão no fundo do posso a ponto de aceitar assistir qualquer coisa? Não dava pra crer, mas eu assisti o tal anime dos "meninos da natação", principalmente pelo típico personagem "bravinho" que me chamava atenção e me fez assistir (algum motivo extra precisava ter). No primeiro episódio fiquei "nossa que raiva desse personagem, mas ele é bem bonitinho" (pasmem: eu estou falando do Rin) e dava risada porque achava nonsense o protagonista (Haruka) falando que ama nado livre e ficava numa banheira com roupa de natação 24 horas.

Para a minha surpresa, ou nem tanto assim, minhas amigas simplesmente vieram perguntar se eu assistia o tal "Free!". A felicidade estampada em seus rostos e a surpresa boa por ter mais uma no time que gosta dos meninos bonitos que nadam era meu assunto das manhãs da faculdade. Do nada, esses personagens começaram a fazer parte da minha vida, das minhas risadas e que me fazia esquecer um pouco de tudo que passei. Praticamente meu celular e computador eram lotados de scans e fanarts, meus reblogs do Tumblr lotados (com destaque ao meu ship eterno, SouRin PORQUE SOU MUITO SHIPPER DESSES DOIS SIM), meus "favoritos" do navegador só tinham uma wishlist enorme de produtos que sabia que não poderia comprar (mas sonhar não custa nada), até minhas ilustrações de croquis da faculdade os envolvia de alguma forma, mesmo que nos detalhes. Não olho mais pra tubarões, orcas, golfinhos, pinguins e borboletas da mesma forma.

Lógico que nessa época, além dessa forma de entretenimento (se é que posso chamar assim), quando algumas amigas souberam aos poucos do que passei, o apoio delas foi fundamental nessa época e meu aperfeiçoamento no desenho também. Posso dizer que 2013 nem foi tão ruim assim (mas ainda assim foi), olhando pra trás agora. No mesmo ano, Pentatonix também me salvou com suas músicas e Shingeki no Kyojin também me deu uma injeção de ânimo, então o combo tava formado! Mas posso dizer que com certeza esse anime me marcou muito e sou muito grata mesmo a todos os sentimentos e momentos. Talvez se ele viesse em outro momento, teria passado batido e não ligaria.

Até hoje nutro um carinho enorme por Free!. Lógico que o fanservice ajuda, não vou ser hipócrita, mas o que me faz olhar com muito mais afinco do que um mero "anime com meninos bonitos sem camisa" é justamente os bons momentos com minhas amigas, as risadas com as cenas sem noção e principalmente notar que cada um dos personagens tinha um pouco de mim ali. Sem contar que até hoje as pessoas batem o olho e já fazem associação comigo (não acho ruim, viu? Hahahaha). O que me faz assistir alguma coisa é a identificação, mesmo que pouca, com algum personagem ou com a história. Creio que nesse caso em específico foi que apenas precisava espairecer a cabeça com alguma história boba, sem tanto poderzinho e com uma dose de momentos fofos.

É tão louco pensar que faz praticamente meia década que ainda tenho carinho por uma obra, que me faz bem e que é algo "comfy", que faz tão parte de mim. Me sinto ainda acolhida sempre que revisito a obra, mesmo que seja só pra ver um capítulo, criticar uma coisa ou outra porque não me aquieto, ver os meninos fazendo coisas como qualquer outra pessoa normal (ou não).

8 anos (dormi quanto tempo? HAUEHAUEA) desse anime e feliz por fazer parte desses anos todos.

Posso dizer com tranquilidade que deixar os sentimentos ruins de 2013 pra trás me fez alguém mais leve, me fez alguém mais... Livre!

Um comentário

  1. É algo realmente bonito, ver o quanto nós pessoinhas nos apegamos a certas obras por motivos tão adversos e eu nem imaginava o que te levou a criar esse carinho enorme por Free!!, ao menos não ao ponto de sempre ter o Rin em algum lugar sendo mencionado ou estrelando um visual no seu blogue mas caramba, que história! Acho que assisti ao anime no mesmo ano, não lembro exatamente do motivo mas deve ter sido o primeiro anime de esporte com aquele fanservice generoso que vi e gostei o bastante para rir, aproveitar fazer piada cantar a abertura e encerramento e ainda sair com o Makoto como o meu queridinho haha ah, os anos do colegial ;w;

    Não sei você Moh, mas algo que Free!! me trouxe muito fortemente foi a vontade de aprender a nadar (coisa que ainda não realizei com sucesso, nado mal a beça, mas tenho o Haruka no coração kroewkrwo) e você reacendeu uma vontadezinha que eu tinha de rever o anime poxa, mas não vou fazer isso tão cedo, tenho outras coisas para fazer!

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