30/10/2017

As bruxas estão à solta!

Senta que lá vez textão... Digo! História!


Olar', monstrinhos e bruxas!

Nada como outubro, o mês das bruxas! Muitas doçuras e travessuras! Pra alegrar trouxe mais essa postagem do Together e nem preciso dizer que amei? AMEI!
A Shaninha deixou um roteiro com várias perguntas para criação desta postagem. Na hora que estava montando, senti que precisava tirar as perguntas. Achei melhor como se realmente estivesse contanto uma história e estivéssemos num "flashback". Espero que ela (e nem vocês) não se importe de ter tirado ou que minha postagem não tenha ficado muito confusa. Mas eu respondi todas as perguntas e fui escrevendo conforme. Ó que boa menina eu sou ♥ uwu
Ri com algumas coincidências no decorrer do roteiro.

Ia usar imagens, mas sempre me deparava com fotos do Jeff the Killer e ficava com a imagem o tempo inteiro na minha cabeça, além de outros rostos "humanos" e distorcidos que me incomodam muito. Pensei também que, se alguém tiver muita fobia ou medo, não poderia ler meu post direito. Então, resolvi brincar com os sons e algumas músicas. Acho que foi uma das postagens mais diferentes (e divertidas) que já fiz. Acreditem, em algumas partes senti um medo muito grande, já que tenho mais medo do que não posso ver do que me deparar com algo cara a cara. Engraçado que nos dias que escrevi isso, ouvi barulho de como se fosse alguém querendo entrar, sabe... Toc? Toc? E adivinhem quando? De madrugada, é claro *rindo de nervoso*.

ATENÇÃO! Para entrarem no clima: quando houver players menores (sozinhos ou juntos), ouçam junto ao som anterior e ao mesmo tempo para garantir uma imersão com a história. Não é necessário ouvir todas por inteiro já que peguei algumas músicas e sons mais compridos, mas se puder ouvir durante um bom tempo, melhor!

Sem mais delongas, vamos lá!
Boa imaginação pra vocês.


Halloween, São Paulo, 2017.
Aqui é Monnie. Esse diário é um relato de algo bem... Estranho. Nunca pensei que conseguisse escrever essas coisas na adrenalina da situação. Hehe, gosto de relatar coisas e ouvir histórias das pessoas... Mas nunca pensei que eu mesma fosse contar minha própria história assombrada um dia. Terror e assombrações me pareciam mais bacanas nos filmes, mas a vida real não é bem assim. Acreditem.

E vejam só, já posso ouvir os lobos uivarem nesta noite de Halloween.


Amigos sempre me puxando pra lugares mal assombrados. Já sei que vai dar ruim e mesmo assim insistem. O povo gosta de sofrer mesmo.
Estava eu, num grupo de cinco amigos. Parecia ser a única meio desanimada, o que é meio estranho, afinal... É mês de Halloween! Preferia estar fantasiada de monstro ou bruxa e pedir doces pela vizinhança, mas aparentemente uma menina de 22 anos não seria bem vista pedindo doces pras vizinhas. Ai, como gostaria de ser criança.
Meus amigos tiveram a brilhante ideia de visitar algo assombrado. Mereço, viu? Mereço!

Claro que tiveram que escolher uma fábrica abandonada pra visitar. Brrrrrrrrr! Que energia ruim desses lugares. Mesmo que esteja, aparentemente, abandonado não me trás uma sensação nem um pouco boa. Obviamente vai ter alguém pra me puxar, afinal, ninguém é louco de ir nessas paradas, né? HAHAHAHAHAHAHA *chora por dentro*
Seguimos de carro até o local. Lembro quando voltei de Bragança Paulista à noite senti que nas árvores haviam sempre almas perdidas escondidas. Coisas da minha imaginação. Mesmo acostumada com passeios de carro a noite, sentia que os caminhos eram eternos ou que a qualquer momento iria aparecer alguém ou alguma coisa, mas era um trajeto onde foi abandonado há muito tempo. Não tinha manutenção nas vias, o asfalto era de péssima qualidade, as muretas poderiam cair com um sopro. Fiquei impressionada que ainda haviam pouquíssimas pessoas circulando de carro... Bem... Se é que posso dizer que são "pessoas"? Achei que era minha imaginação de novo, pois acabei de ver um motorista... Sem rosto. ENFIM!


A fábrica era enorme. Pisei no lugar, ao sair do carro, e senti um certo enjoo. Ansiedade? Medo? Os dois?
O engraçado é que, justamente o sujeito que deu a brilhante ideia, estava se borrando. ERA SÓ O QUE ME FALTAVA! Ninguém queria ser o primeiro a abrir o portão para entrar, até minha amiga ter a brilhante ideia de tirar no palitinho. Nem preciso dizer que a premiada fui eu, né? ganhar na loteria que é bom, nada
Respirei bem fundo, embora cambaleando, tomei à frente. Abri o portão com facilidade. Fez um rangido bem esquisito... Senti aquele velho clichê dos filmes de terror que a porta, simplesmente, abre fácil (ou se abre sozinha).


Entramos numa espécie de galpão. Era bem grande, entrava a luz da lua pelas frestas das poucas janelas no local. Teias de aranha, mofo e rachaduras nas paredes. Estranhamente tinha um balde com uma água suspeita (nojenta, diga-se de passagem), umas embalagens de vidro bem empoeiradas e  rachadas e vários fósforos no chão.
Fiquei pensando "o que essa fábrica produzia, afinal?". Aparentemente, o local só parece abandonado. Nenhum indício de assombração, pelo menos pra mim.
Andei um pouco mais à frente e meus amigos foram atrás e me deparei com uma escada, que parecia ir para uma sala. A porta estava meio aberta, quase fechada. Um deles resolveu fazer uma aposta: ir sozinha, olhar o local e sair.
Só conseguir pensar o quanto só tenho amigos idiotas e fiquei com uma enorme vontade de pegar aquele balde com aquela água suspeita e jogar em cima dele. Quem diabos pensa numa aposta A ESSA HORA?!

Ok. Respirei fundo novamente e fui.

Subi aquelas escadas. Eram de madeira, bem velhas e faziam um barulho bem desagradável. Abri a porta, pensando naqueles zumbis do Resident Evil, com cuidado e... Tudo bem escuro. Não dava pra enxergar nada!
Ouvi um som de "TOC TOC TOC" beeeeeem baixinho. Maldita hora pra audição ficar à mil!
Eis que percebi que, na verdade era o som do solado do meu sapato. Ufa! Passado o susto, senti que tinha mais alguém naquele lugar. Andei um pouco (não sei como), e acelerei o passo para avisar aos outros que "não tinha ninguém" e que poderiam subir.


Todo subiram, mas todos tiveram a mesma impressão que eu que tinha mais alguém além de nós. Meu celular era o único que tinha um brilho bom e uma lanterna embutida... Mas estava com a bateria bem fraca e não duraria por muito tempo. Bem, resolvi me conformar com aquilo e andamos e deparamos com outras portas. Resolvi abrir uma.

Por um breve momento, fui andando e percebi que o único som que ouvia era a minha respiração. Peraí, cadê todo mundo? Tentei voltar atrás pra ver se todos estavam bem e comecei a correr e correr. Ué? Mas por quê não chego até a porta pela qual entrei?
Senti que tinha algo atrás de mim. Na hora que tentei virar, congelei. Não conseguia me mover. É como se a entidade que estava ali não me permitisse enxergá-la. Pra piorar, minha bateria acabou de vez e só sentia um calafrio totalmente desconfortável. Tudo o que fiz foi me forçar a correr, seja qual direção eu tenha ido, mas era melhor que sentir aquele desconforto.

Nossos olhos começam a se acostumar com a escuridão com o tempo, então senti que estava mais e mais escuro. Cada direção que corria, me parecia mais e mais escuro. Comecei a suar bem frio e ficar nervosa. Até me esbarrar com tudo numa... Parede?

Ai! Que dor.
Aparentemente a parede é de madeira. Pior se fosse de concreto ou qualquer coisa assim, mas mesmo assim, esbarrar com tudo não é legal. Mas o que fazer pra sair daqui?
Tentei dar um chute. Nada efetivo. Tentei apalpar alguma coisa, afinal, aquela escuridão eu tinha que tomar muiiiito cuidado com as coisas. Vai saber se não me machuco ou coisa assim, afinal, nada poderia ser pior que me machucar e não ter como pedir ajuda.


Bem, acabei de dizer que não poderia ficar pior. Ouço vozes, como se fossem sussurros. Por um momento me senti aliviada, pensando ser meus amigos, mas começou a me incomodar pois a intensidade dos sussurros começou a aumentar e percebi que não eram eles. "VISH!" foi tudo o que pensei.
Os sussurros aumentaram mais ainda e tudo o que conseguia ouvir era "amaldiçoar" e sentia um peso enorme nas minhas costas. Mais do que estava, antes mesmo de entrar na fábrica abandonada.

Já li tantas histórias que, pra se salvar, você precisa de algum objeto que te auxilie. Resolvi procurar QUALQUER COISA.

Um livro de magia?
Uma pedra?
Uma cruz?
Uma poção?
Uma faca?

O que poderia me livrar?

As vozes só ficavam mais fortes e percebi que a sensação de medo do desconhecido, de algo que não podia ver, aumentava. Minha adrenalina estava à mil!
Senti que apalpei alguma. Parecia uma pedra pontuda, bem bruta. Foi a única coisa que encontrei no desespero e resolvi usar como se fosse uma faca. Nunca pensei que meus conhecimentos históricos e assistir a tantos programas do Bear Grylls fossem me ajudar tanto. O peso nas minhas costas foi ficando cada vez maior e as vozes ainda mais altas.

Saí correndo. No desespero fazemos qualquer coisa.
Não sabia a direção, tudo o que consegui sentir era que estava dentro de um corredor (e odeio corredores, principalmente quando não sei onde vai dar). Corri, corri.
Nessa minha correria, "chutei" sem querer alguma coisa. Não sei onde meus miolos foram parar, mas abaixei para pegar e... Um caderno? Aparentemente uma espécie de diário. Capa dura, de couro, meio velho, com algumas manchas de sangue? Argh! Enfim. Olha só, parece que há algo escrito. Está tudo tão escuro que precisei andar com ele pra ver se consigo ler alguma coisa.

Lembrei que precisava correr.
Não sei de que.
Mas precisava sair dali.

Parece que vejo uma porta no final do corredor. Abro sem pensar duas vezes e... Ué? Estou fora da fábrica abandonada... Mas... Está tudo meio diferente.

A lua está bem alta. As árvores parecem mais altas ainda. É o mesmo lugar, mas... Tem alguma coisa errada.
Olhei pros arredores... O carro onde vim ainda está ali. Cadê todo mundo? Nenhum som fora? Nenhum vento? Nada...

Que silêncio...

Mas é um silêncio bem incomodo.
Não gosto nem um pouco disso.
Com a luz da lua, resolvo abrir o tal diário. Me espantei ao ler todo o trecho ali citado. Li até o fim, com muita tremedeira:

"Fábrica de perfumes importados, La Parfum de Fleurs, 1984.

Não gosto muito do meu nome verdadeiro, sou mais conhecida pelos amigos por Monnie. Consegui um trabalho nesta fábrica de perfumes importados há alguns anos. Sou responsável pelo controle de qualidade e propaganda dos perfumes produzidos desse local. É um trabalho dobrado, mas sou bem feliz aqui. Tenho colegas legais e chefes que me tratam bem e todos os dias a fábrica acaba recebendo cartas de clientes felizes com os perfumes que produzimos.

Já disse que sou feliz com meu trabalho?
Bem... Era.


Infelizmente, em 31 de outubro de 1984, o galpão pegou fogo por algum motivo desconhecido. Como grande parte dos perfumes estavam ali, os vidros estouraram e começou a espalhar o fogo muito rápido pela fábrica inteira, por serem produtos inflamáveis. O cheiro forte fez muitos funcionários terem tontura e não conseguirem correr direito. Minha saúde já não era muito boa e acabei passando muito mal, tentei correr até a saída de emergência, cambaleando, mas infelizmente as chamas bloquearam meu caminho. Entrei em desespero. Estava tão nervosa que nem gritar por socorro conseguia. 
Resolvi pegar um caderno que estava comigo, onde haviam todos os registros dos meus dias na fábrica e decidi escrever minhas últimas palavras. Ao invés de só arrependimentos ou angústias, decidi escrever o quão feliz estava no meu emprego, que amava minha família e amigos e que adorei conhecer todos meus colegas.

Ouvi gritos de desespero e barulhos de desmoronamento. Corri o mais rápido que pude para outra saída de emergência em meio ao fogo, que ficava em um corredor. Quero sair daqui!

Uma placa enorme de madeira desabou bem em cima de mim. Gritei de dor e só vi sangue.
Senti minha respiração mais fraca e minha visão completamente turva. Fechei os olhos e não ouvi mais nada. Somente o silêncio.

Se por ventura eu reencarnar ou alguém achar esse diário, por favor, quebre o ciclo para que acidentes como este não se repitam.

Não se apeguem a nada..."

Fechei o diário com tudo após lê-lo.
Qual a probabilidade de alguém com o mesmo apelido que o meu? Será que é por isso que sentia esse peso por cima de mim, desde que entrei neste local? Será que reencarnei mesmo ou é só mera coincidência tudo isso? "Não se apeguem a nada"? O que "ela" quis dizer?

Não consegui entender nada. O QUE EU TENHO A VER COM ISSO?! Nunca tive relação com esse lugar! Cadê todo mundo!? AHHHHHHHHHHHH, QUE RAIVA!

De saco cheio, resolvi entrar no carro, que por motivos que desconheço, estava aberta e com as chaves. Não questionei nada. Só sei que o peso nas minhas costas continuava e que minha cabeça já estava explodindo com muitos questionamentos.
No entanto, travei. Senti que precisava levar a sério aquilo, embora eu não esteja muito bem e impaciente.


Resolvi abrir o diário novamente.

Folheei as páginas e tudo o que vi, foram registros de inúmeros códigos de perfumes, alguns desenhos de embalagens e propagandas de outros concorrentes com anotações. Algumas folhas estavam meio queimadas e outras manchadas com sangue. Fiquei imaginando o que, talvez seja, meu outro "eu" estava querendo dizer com tudo aquilo.
Dentro, haviam colagens de recortes de jornais. Notícias daquela época. Havia uma foto de pessoas felizes e recorte: "Fábrica de perfumes importados, La Parfum de Fleurs, é referência no Brasil". Recorte de prêmios e até mídia internacional. Tinha até um anúncio de um novo perfume, que dizia que tinha uma essência nova no mercado. Só escolheram a embalagem de forma horrível: parecia um frasco de veneno, com caveiras desenhadas e pedrinhas swarovski na tampa, além de um formato parecendo um ovo. Parecia a cara da morte...

Folheei mais.
Vejo outro recorte de jornal, com uma notícia trágica que dizia "Dona da La Parfum de Fleurs, morre em um terrível acidente de avião em 31 de outubro de 1983. Seu marido assume a fábrica e as lojas, prometendo manter viva a tradição".

Não me lembro de nenhuma fábrica com esse nome. Loja? Muito menos. Será que é tão antiga assim? Olhando pelas embalagens de alguns desenhos e recortes, muitos lembravam a época de minhas avós. Todos os vidros eram bonitos, bem desenhados e cheios de ornamentos. Sou uma pessoa bastante olfativa, então, tentava imaginar o cheiro de cada um.
Aparentemente, um diário comum. Exceto pelas marcas e manchas, nada de tão anormal assim.


Espere...
Uma folha rasgada acabou caindo. Na hora que li, só arregalei os olhos ao ler:
"Monnie do futuro ou Monnie reencarnada, seja qual for... Jamais se apegue as coisas, esqueça desse lugar, e não olhe pra trás... LITERALMENTE! CORRA! CORRA!"

Congelei.
Tudo o que pensei foi apenas ligar o carro e ir embora. Respirei e engoli seco. Tive a infelicidade de arrumar o retrovisor do carro e tomo um susto enorme, ao ver uma silhueta preta em minha direção.  Não tinha forma, não sabia quais suas intenções, era como um vulto... Mas tinha a clara intenção de não me fazer bem. Começou os gritos e minha cabeça doía cada vez mais que a intensidade das mesmas aumentava. Tentei dar partida e o carro simplesmente não saía do lugar. Tinha gasolina e estava em bom estado, porém, a tal entidade parecida segurar. Tomei uma medida desesperada: saí do carro e corri em direção a floresta, tendo esperança que poderia encontrar alguém que me ajudasse. Tomei fôlego, mas os gritos pareciam cada vez mais altos.

Não vi que a minha frente tinha um barranco e fui abaixo. Caí. Comecei a me ralar toda só fui parada quando bati minhas costas num tronco de árvore caído. Olhei pra cima e senti que a tal entidade estava vindo com tudo pra cima de mim. Fechei os olhos, sabendo que podia vir o pior...


Ué? Estou na minha cama? De pijamas? Levanto.
Bati no botão do despertador e fui no banheiro. Lavei o rosto e olhei pro meu corpo. Nenhuma ferida, nenhuma dor... Nenhum peso. Me sinto leve. Apenas a sensação de que é um dia como qualquer outro. Pego meu celular e várias mensagens de Whatsapp, perguntando se estou afim de ir na festa de Halloween da Shana. Desço a barra de notificação pra ver a data: 30 de outubro de 2017.

Não era dia 31? Tudo aquilo me parecia tão real.

Fui a cozinha e faço um café. Me arrumo, pego as chaves de meu carro e vou em direção ao trabalho.

Chegando lá, o primeiro a me encontrar é meu amigo, Eddy. Sim, o cara idiota que teve a brilhante ideia de ir na fábrica... No meu sonho. Falei pra ele o que sonhei e deu risada, brincando que jamais iria num lugar abandonado, justamente por morrer de medo dessas coisas. Entramos na empresa que trabalhamos e tivemos nossa rotina normalmente.
Ah! Não contei do que trabalho, né? Trabalho numa empresa onde sou responsável por criar embalagens de produtos, na parte criativa, junto de Eddy e Cindy. Amigos que estudaram comigo e, por destino, trabalhamos no mesmo local e no mesmo setor.

Meu chefe entra no local e nos apresenta uma proposta de um cliente. Madam Gardenia, uma empresa de perfumes conhecida no exterior, queria uma embalagem bem diferenciada e que contasse uma história antiga, que referenciasse alguma outra perfumaria, um legado, uma tradição antiga.
Conhecendo o chefe, nem preciso dizer que ele já ficou todo empolgado, já que o mesmo gosta de histórias antigas. Inclusive, já pesquisou algumas histórias e quer que nos baseemos em algumas delas.

Várias notícias impressas da internet, recortes de revistas e panfletos de museus. Um deles me chama a atenção.

Tomo um susto ao ler alguns trechos de algumas matérias:

"01 de novembro, 1984. La Parfum de Fleurs fecha fábrica e operações após incêndio misterioso. Atual dono da fábrica lamenta mortos no incidente e resolve abrir outro negócio, junto de seus filhos"

"02 de novembro, 1984. Encontrados caixas de fósforos, porém, nada que afirme incêndio. Não foram encontrados vestígios criminosos em fábrica de perfumes. O caso é arquivado, mas fica o mistério"

"06 de maio, 1986. Frascos de perfume quebrados da Le Parfum de Fleurs são leiloados. Colecionadores do mundo todo brigam em leilão"

"20 de janeiro, 1990. Caçadores de mistérios afirmam que alguns dos frascos de perfumes, encontrados em galpão no misterioso incêndio, continham resquícios de sangue da primeira dona da fábrica. Como é possível?"

Eddy disse ao chefe do meu sonho e ele queria que contasse mais detalhes. Não deixei passar um detalhe. Mesmo sendo um sonho aparentemente fantasioso, e coincidentemente com a fábrica de mesmo nome. Cindy se empolga no meio disso e sugere pra visitarmos o antigo local da fábrica, que por incrível que pareça, ainda existe, embora o acesso esteja restrito. Meu chefe aprova a ideia!
Eu e Eddy ficamos aflitos, mas aceitamos.

Afinal, um criativo às vezes é bem louco, certo?

Na mesma hora, entramos no carro e fomos em direção aos local. Chegando lá, seguranças nos param, dizendo que a área é proibida e restrita somente aos agentes da vigilância. Meu chefe convence de todas as formas e o um deles nos dá 2 horas para andar pelo local. Extrapolando isso, nos expulsaria.


Não sei bem dizer qual a sensação. Mas comecei a sentir uma tristeza ao pisar no local. Não um incomodo ou peso, uma coisa melancólica. Pelos recortes das notícias e pelo meu estranho sonho, aparentemente a dona era bastante apegada aos negócios. Será que "Monnie" a conheceu e queria que sua história não fosse esquecida? Ainda não compreendi o que ela queria dizer, muito menos o que tenho a ver com isso.

Andei pelo local e só estava o os destroços. Parece que os agentes iriam remover tudo dali para construir alguma outra coisa. Triste pensar de vestígios históricos, mesmo que trágicos, não existiram mais. Falo pros meus amigos que vou dar uma circulada pelo local e meu chefe diz pra tomar cuidado onde pisa, já que ainda há cacos de vidro, concreto e madeira velha por todos os lados.

Reconheci alguns dos lugares do meu sonho, mesmo estando escuro nele, senti que era o lugar. A luz do sol batia em todos os lugares desta vez e conseguia ver claramente. Fui caminhando e observando o lugar: mato, entulho, algumas pichações...

Tudo o que consigo pensar é "por quê?". Parece que não consigo encontrar uma solução e nem os motivos. O que tudo isso quer dizer? Tenho mais questionamentos do que respostas para esse mistério.
Não sei se no sonho sobrevivi. Não sei porque raios, logo eu, tive esse sonho. Lembrei dos gritos... Eram gritos de tristeza, pelo que lembre. Será os gritos desta dona? Da "Monnie"? Dos funcionários? De todos que ali passaram de alguma forma?

Tenho certeza que eu, reencarnada ou não, que seja, estou viva.

Continuei caminhando. Algo me chama a atenção no meio de algumas folhagens e entulhos: um caderno?
...
Igualzinho ao do sonho.
"O diário!", pensei.
Pego, sento em cima de um dos concretos e abro cuidadosamente. As mesmas páginas, a mesma escrita, as mesmas figuras e recortes de jornais... Todas meio desbotadas e manchadas. Infelizmente, o trágico fim e a última folha escrita, estavam as últimas palavras da "Monnie". Não era só um sonho.



Começou uma leve brisa. Senti que havia mais alguém no local. Olhei pros lados e nada, mas tive essa impressão. Diferente do sonho, não tive medo.

Um pedaço de papel caí. O mesmo papel do sonho. Lembrei que estava escrito um lembrete não muito amigável antes, mas ao pegar e ler, desta vez estava escrito outra coisa:
"Sei que você não deve estar entendendo nada. Nem eu entendi o que aconteceu e por que aconteceu. As coisas simplesmente acontecem. Comigo, com você, com todos. Se por ventura nos conhecêssemos, acredito que seríamos ótimas amigas, mesmo que sejamos a mesma pessoa, de épocas diferentes. Talvez você esteja tão desapegada que não se lembra, mas estou dentro de você de qualquer forma. Estranho não? Não se assuste! Continue caminhando. Me desculpe pelo sonho assustador. Não se apegue, mas não esqueça de tudo o que você passou. Independente de qualquer coisa. Tome cuidado com os vidros do local onde pisa e obrigada por ler e me escutar de certa forma. Há muitas coisas que não sei explicar e provavelmente você não entenderia também. Essa vida é estranha, né? Obrigada novamente. (Monnie, 1984)"

O trecho "tome cuidado com os vidros do local" me chamou atenção. Realmente, haviam alguns cacos, na verdade muitos deles.
Abri o diário novamente e lembrei de um recorte falando sobre o perfume "novo" que iriam lançar. Ah, aquele vidro horroroso. Quem foi o designer que fez?
Não sabia o cheiro e não foi nem sequer lançado no mercado, pois ocorreu o incêndio antes. Os caçadores de mistérios diziam que havia sangue da antiga dona nos vidros. Será apenas uma forma de chamar mais atenção pra fábrica? Será que esses cacos do chão são desse perfume? Nem ousei mexer em nada. Não sei o que poderia me ocorrer se o fizesse.

No fim das contas. Não soube o que aconteceu de fato. Será que este local era algum lugar especial para a dona da fábrica de perfumes? Aconteceu algo antes dela entrar no avião? Será que aquele vulto que vi no sonho era ela? Só consigo fazer mais perguntas.

Seja onde ela estiver, apesar do incidente, que ela descanse em paz. Idem pra "Monnie".
Seja qual for os motivos pelas quais sonhei com isso.

Resolvi não mostrar o diário pros outros, em respeito. Deixei no mesmo lugar. Caminhei de volta e novamente a brisa soprou. Parece que ouvi uma voz...? Deve ser impressão minha.

Volto pro local onde os outros estão. O chefe parece ter grandes ideias sobre a embalagem pro cliente, depois de olhar o local. Entramos no carro e retornamos à empresa.

No dia seguinte, antes da festa de Halloween, olho pro meu celular e vejo notícias de que a demolição dos entulhos restantes da fábrica começou, e que o plano era construir um shopping center. Fiquei chateada, mas uma hora ou outra iria acontecer.

As coisas simplesmente acontecem.

Monnie, Halloween, 2017.
Fim de relato.

(Não se preocupem. Este é um novo diário.)


No fim, acho que minha história acabou virando um drama, HSUAHSUAHSUAHUS ~
Adorei escrevê-la, embora senti que algumas partes ficaram meio confusas, mas resolvi não voltar porque perderia muito a graça ficar lapidando demais e fugiria um pouco do roteiro. Espero que tenham se divertido um pouco com minha história de Halloween!

Os nomes "chiques" foram inspirados dessas duas músicas: La Gardenia (Kuroshitsuji) e La Parfum De Fleurs (Yuri!!! On Ice). Os outros nomes, com exceção da Shana, são totalmente fictícios e foram criados bem de última hora 8D

Desde já, bom Halloween à todos!
Até a próxima...

Não olhe pra trás.

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