13/01/2025

Um vídeo de fofoca me fez refletir sobre "desistir"

Sim, o título é esses que vocês estão lendo, lol


Normalmente não sou de ver esses vídeos de fofoca, a menos que seja pra rir de gente burra (não que eu seja de grande inteligência, mas tem gente que p*taquepariu consegue se superar) e quando tenho um total de zero vontade de pensar ou aprender algo. Janeiro, estava aproveitando meus últimos dias de recesso, quando me aparece esse vídeo com um título curioso: "ELA TÁ 10 ANOS TENTANDO ENTRAR EM MEDICINA". Fiquei curiosa com o título... Não conheço a pessoa que criou o vídeo sobre o assunto e tampouco a tiktoker que aparece desabafando sobre não passar no cursinho. Comecei a ver (caso ouvir como um podcast) e, no decorrer do assunto, me peguei pensando um pouco comigo mesma "cara, não fui tãããão diferente da tiktoker que ficou presa 10 anos pra passar pra segunda fase de uma prova pra prestar medicina"... Tbh? Queria realmente que alguém tivesse me dado um tapa na cara anos atrás, porque HAJA paciência comigo mesma com esse papo de "NÃO VOU DESISTIR".

Hoje em dia, tenho um pensamento diferente. Seria algo como: "tem horas que temos que desistir e recalcular a rota". Bem frase de coach pilantra, mas é algo que acredito que funciona bem melhor, ainda mais da forma como consumimos conteúdo, como o mundo tem funcionado e blá blá whiskas sachê. Sei que jogar na cara de uma pessoa e falar "DESISTA CARALHO" pode desanimar e gerar gatilhos (e muitas vezes você só esta sendo escrota), mas é claro que precisamos ser realistas e ver que, infelizmente, a vida quando quer colocar o pé pra tropeçarmos num barranco e bater a cara numa pedra, pasmem... ELA CONSEGUE! A vida adulta é cruel, amigs!

Mas beleza... Por quê cargas d'água resolvi escrever sobre esse assunto?
Lembrei de quando ingressei na faculdade. Ingênua de tudo, acreditava que bastava força de vontade pra ingressar no mercado (e eu achava que seria uma estilista, com ateliê, super criativa, desenhar croquis e costurar roupas lindas). Pra que, não é mesmo?! Durante os 4 anos de faculdade, tava tudo bem e com o privilégio da minha mãe ajudar a bancar meus estudos e materiais. Pra pegar o diploma, era necessário um estágio obrigatório (uns 3 meses era o suficiente pra cumprir). Sem dinheiro, crua de tudo, e uma década atrás as informações não eram como hoje, sem network... De duas uma: me humilhava ou tentava ser simpática porque "sou uma aluna super dedicada, com certeza vou conseguir alguma coisa". Não vai. Sad but real. Sonhos e amor não pagam boletos, a vida não é um morango. Era algo que gostaria de ter ouvido, mesmo chorando horrores quase todas as noites, ficando p da vida por não ter passado numa vaga de emprego que gostaria, etc etc etc.

Consegui um estágio que não foi pago um único centavo, quase me enrolaram (ainda bem que sou teimosa) a duras custas e ainda assim demorei quase 5 anos (ou um pouco mais, perdi as contas) pra ingressar de verdade no mercado de moda. Durante esse espaço resolvi fazer outros cursos, workshops, fiz network, atualizei meu LinkedIn, enfim, um trilhão de maracutaias. Ok, sei que a menina citada no vídeo (a que tá tentando prestar medicina) tá insistindo no erro, tá sendo orgulhosa demais (não minto, chega a dar um pouco de raiva em algumas falas), várias pessoas dando realmente conselhos e trazendo questionamentos valiosos... Mas durante esse período de tempo, minha mãe falou pra tentar concurso público (observações: minha mãe é funcionária pública há anos e já passou em vários concursos). Não queria, teimava que gostaria de ingressar em algum mercado que estudei... Se fosse hoje em dia, eu teria acatado à ideia e com certeza estaria diferente, em outro momento e poderia estar melhor. Não fui madura o suficiente pra compreender que, às vezes, precisamos de uma autoavaliação e sermos realistas.
Lógico que sonhar é lindo, lógico que num mundo utópico é maravilhoso ter a profissão dos sonhos... Mas a vida adulta e as obrigações sociais não esperam. Ela é pior que a geração tiktoker que não aguenta mais ver um vídeo de 15 segundos.

Bom, não temos como voltar no tempo... Não sei se foi um misto de sorte com o acaso, mas posso dizer que estou sim feliz na minha área (e é um privilégio atuar na área que escolhemos), embora não seja nas melhores condições do mundo, não é como imaginei (não gente, não tenho uma boutique chique no Jardins, sinto lhe decepcionar), e é durante o trabalho que vamos vendo o que gostamos, os desafios que queremos enfrentar etc.
Atualmente eu tenho pensando "que curso quero fazer agora? Vou fuçar uns sites aqui e ver o que tem de interessante". TALVEZ ME ODEIE COM TODAS AS FORÇAS???? TALVEZ!

Também recordo de quando estava frustrada com o mercado de Moda (spoiler: não mudei minha opinião). Sempre falo pra qualquer pessoa que conheço: "amo moda ao mesmo tempo que a odeio m u i t o". Sim, contraditório, eu sei. Parece um eterno relacionamento tóxico, com tapas e beijos, com morde e assopra.
Fico feliz que não desisti, ao mesmo tempo que penso que deveria ter desistido antes e seguido outro caminho. Enfim, privilégios de um lado, frustrações e más escolhas de outro. Como citei antes, não posso voltar no tempo, mas com a cabeça que estou hoje, prefiro aprender com meus erros do passado e não repeti-los, principalmente se tratando de carreira profissional.

Uma coisa que aprendi é: nenhum conhecimento é em vão e esse pensamento carrego muito antes de começar a me frustrar. Essa parte, pelo menos, tem funcionado muito e me ajudou a me frustrar menos quando vou tentar algo e esse algo não dá certo; mesmo depois de algumas tentativas. Se algum dia precisar drasticamente mudar de carreira, não vou me desesperar mais, embora os boletos não deem a mínima sobre isso RISOS
Penso seriamente em voltar a costurar? Sim. Penso seriamente se quero seguir a carreira em alguma vertente pra sempre? Talvez. Penso em voltar a tentar alguma vaga de assistente pra poder evoluir? JAMAIS (me recuso a ser assistente de estilista porque não aguento o surto da minha própria classe, deusa Westwood que me salve).
Amo Moda. Mas se eu seguisse por outro caminho, capaz que amaria muito mais!

"Bobeira é não viver a realidade"

Já dizia Cássia Eller!

Nunca pensei que um vídeo que vi só pra entreter, uma fofoca edificante, me gerou muitos pensamentos e autocríticas (e bônus: li os comentários do vídeo da criadora e pela primeira vez não passei raiva com o que li aheuahuehauehauehauheua).

Espero que esse post tenha... Sei lá, te ajudado???? Sei que tive pensamentos um tanto quanto contrastantes e contraditórios. Espero que tenha também te entretido de alguma forma.

Até a próxima!

6 comentários

  1. EU AMO A BETA NUM TANTO!!!!! Ela é sempre bem ponderada nas colocações dela, às vezes eu discordo de alguns posicionamentos mas mesmo dos que eu discordo eu consigo entender de onde a lógica dela vem, sabe? Eu recomendo os vídeos dela, principalmente os que falam de mercado de influência, porque além de trabalhar com internet há anos ela tbm é publicitária de formação, hahahaha.

    Esse vídeo em questão eu não cheguei a ver justamente porque nossa, preguiça de gente determinada assim. Mas eu às vezes penso que se eu tivesse desistido da biblioteconomia, talvez eu estivesse mais em paz. AMO biblio, AMO o que bibliotecários fazem, mas trabalhar na área é bem desafiador, principalmente porque as pessoas são meio gênios não sintomáticos kkkkkkkcry.

    Por sorte hj tbm trabalho na área em um lugar que eu gosto e respeita meus limites, mas eu te entendo bem quando fico pensando nos "e se"...

    Amiga, tu procurando curso, eu aqui namorando o mestrado, vamos estar parando de procurar sarna pra se coçar, tá bom? Então tá bom.

    Beijo! <3

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  2. Olha aqui... Você não tem o direito de meter o dedo na minha ferida e chutar essa cachorra morta na beira da estrada xD
    Meu grande dilema é dizer "infelizmente eu segui meu sonho de infância e me formei numa profissão aleatória", mas sendo honesta comigo? Não me imagino fazendo outra coisa. Sempre que me pego pensando sobre esse assunto e até mesmo sentindo a frustração da área de trabalho PORCARIA que escolhi, chego a conclusão de que sou feliz sabendo que ao menos eu tentei e não vivo com a dúvida do "e se eu tivesse feito". Agora eu sei com certeza que minha vida profissional não vai ser um morango, e todo mundo que fala "Nossa! Que legal! Você é arqueóloga" e eu só dou aquele risinho sem graça e internamente fico pensando "troca comigo, toma aqui meu diploma", mas eu adoro essa porcaria, eu danço de felicidade quando acho uma moeda do século XIX no meio do sertão, e resolvi que vou fazer uma limonada com esse limão que escolhi para minha vida. Adorei conhecer seu blog, vou seguir para acompanhar os próximos surtos.

    Garota do 330

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  3. Hello, Moh!!
    Como você esta?

    Mulher! Sua opinião é completamente excelente e gostosa de se ler (vem cá para eu te dar um beijo). Eu pensava do mesmo jeito, que eu seria uma inútil se não terminasse, pois tenho que dar orgulho, quero ter uma profissão que me der estabilidade e algo que eu goste para não passar anos sofrendo. Hoje em dia vejo que não precisa de nada disso, você não precisa sofrer por cauda disso, as coisas vão acontecer de qualquer jeito. Mesmo que você passe horas se planejando.

    E cara, quanto mais conhecimento você tiver mais oportunidades e mais favorável a você. O importante é fazer acontecer.

    kisus

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  4. Trabalhar e estudar sempre é algo difícil, que seja ao menos com algo que gostamos né ?
    Quando há a oportunidade de dedicar tempo a isso, tem que valorizar e aproveitar mesmo. E se não há essa oportunidade, que abrace o que surgir e que concentre os esforços para conseguir mudar para aquilo que nos satisfaz. Não precisa ser um pesadelo. A gente não precisa viver nossa rotina fazendo o que odiamos. É válido dedicar tempo para fazer o que você gosta sim, até onde der.
    E trilhar o caminho que vc trilhou, tentando, acertando, errando, aprendendo, percebendo o que você gosta e o que não gosta naquilo que escolheu, é importantíssimo. Molda vc como pessoa. São lições que ficam. E é como vc falou: Nenhum conhecimento é em vão.
    Abraços!

    https://cahinsidemymind.blogspot.com/

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  5. Esse post veio na hora certa pra mim. Estou me batendo muito pra ter sucesso como psicóloga clínica, e a questão não é nem não conseguir pacientes, mas sim que talvez eu não sirva pra ser psicóloga clínica em tempo integral e insistir nisso vai me levar pro fundo do poço (na melhor das hipóteses). Estou nesse momento recalculando a rota, vendo o que posso fazer com meu diploma de psi, vendo se consigo alguma outra coisa na área ou se procuro algo em outra área e mantenho a psi como um algo a mais, uma renda extra, talvez atendendo um ou dois pacientes, sabe? E essa coisa do privilégio é complicada, todo mundo me fala que eu tenho que ter paciência, porque tenho o privilégio de morar com meu pai, não tem porquê ter pressa em ter um bom retorno como psi, e sim, eu concordo, mas só a gente sabe onde o calo aperta, só a gente sabe o que nos mantém ou nos faz reconsiderar nossas escolhas. Eu não quero ser uma psi de poucos pacientes que cobra 500 por sessão pra ter um salário decente, mas também não quero cobrar pouco e ter que lotar minha agenda e me desgastar e talvez não conseguir sobreviver ao burnout pra conseguir esse salário decente. Difícil.

    No fim acabei falando um monte sobre mim, peço perdão djhfgbjhadsbf mas seu post tocou bem na ferida aberta e acho que preciso tomar uma atitude quanto a isso.

    Beijinhos!
    Camundonguinha

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  6. Um post necessário, principalmente para mim. Eu me sinto frustrada por não ter seguido minha área, não ter tido a oportunidade de ingressar no mercado de trabalho, mas as oportunidades que as pessoas estavam dando para mim não era como tinha imaginado e praticamente era pagar para trabalhar. Infelizmente tive que desistir de continuar procurando por conta de uma mudança de país. Ainda me sinto mal por não ter seguido a minha busca, mas a minha vida tomou rumos diferentes e tive que me adaptar. Eu até tentei algo aonde vivo, mas talvez eu não me encaixe mais nisso e é preciso recalcular a rota como você falou. Acho que fica de reflexão para saber que não necessariamente o que você estudou ou gosta de fazer vai trazer tanta felicidade ou bons frutos. Às vezes o universo proporciona outra vivência e isso te preenche. Não incentivo ninguém a desistir dos seus sonhos, mas às vezes tentar muito e sofrer por isso pode ser cansativo.

    Beijo grande!

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