
Já parou pra notar que, de uns tempos pra cá, perdemos a facilidade de nos relacionarmos com as pessoas? Sem tanta desconfiança, sem tanta frescura (é meio errôneo falar assim, mas não achei outra palavra para expressar), sem tantos questionamentos de "será que a pessoa tem boa índole?".
Tenho notado que na lista de "frustrações adultas" tem sido assim, ao menos pra mim. Pra você tem sido também?
Parece que pras crianças é tão simples.
Lembro-me de quando fui numa loja de brinquedos de um shopping próximo a minha casa, e vi uma mesa de Lego. Amo esse brinquedo, me sentei na pequena mesa e comecei a brincar. A adulta de 24 anos brincando de Lego. Não tive quando criança, ô brinquedo caro. Só brincava na escolinha e eu tinha que aproveitar brincar mesmo. Enfim! Alguns olhares estranhos e outros nem tanto. Eis que, algumas crianças se aproximaram de mim, sentaram nas cadeirinhas vagas e... Puxaram assunto comigo. Sem segundas intenções, curiosas, me ajudando a montar algumas coisas. Algumas até falaram que se me vissem novamente, me ajudariam a montar fortes e castelinhos. Parando pra analisar friamente, fiquei pensando "essas crianças estão loucas. Imagina se eu fosse uma maníaca ou sequestradora?" ou "será que se alguém se aproximasse de mim, eu não desconfiaria como não desconfiei dessas crianças?". Vários pensamentos rondaram a minha cabeça. Muitos mesmo. Desde coisas como "não ver maldade nas coisas" até "o ser humano tem que acabar" (tá, pensamento agressivo, eu sei).
Não demorou muito tempo, vi um stories de uma conhecida minha falando sobre um youtuber que recebeu uma cartinha de fãs mirins em seu apartamento, perguntando se ele poderia jogar futebol juntos e perguntando se gostaria de ser seus amigos. Essa sinceridade das crianças é uma coisa engraçada, não? E ela fez o mesmo questionamento que fiz: "quando foi que perdemos essa simplicidade?". Simplicidade de chegar em alguém, de agradecer, de se comunicar, de ter algo a ensinar, de chamar a pessoa que tá isolada pra conversar... Por quê acabamos optando pelo caminho mais difícil?
Há muita maldade no mundo. Não precisa de muito: abrimos as redes sociais e vemos notícias de mortes violentas, de crimes violentos, de violências no geral (que chega a ser até gatilho, melhor não citar muito). Mesma coisa com a TV, mesma coisa com as mensagens de WhatsApp. Tudo é tão insalubre... Faz nós desconfiarmos de todo mundo, a agir indiferente com os outros (mesmo que eles não tenham culpa), a termos medo o tempo todo.

Minha prima teve uma filha (linda, por sinal) há 2 anos. Me sinto uma tia brincando com a sobrinha... Pensando em presentes, ajudar os pais a planejar uma festinha, comprar roupinhas... Fico olhando a pequena brincar com todo e qualquer coisa, sem tanta preocupação, rindo de qualquer coisa. Ela prefere um copo de plástico que faz barulho do que um chocalho que algum parente deu que pisca e canta música. Embora minha prioridade não seja ter filhos, fico com esses mesmos pensamentos também. Fico preocupada com essa nova geração de crianças de certa forma. Sinceramente, queria não ter essas preocupações, pra ninguém. De não pensar que qualquer pessoa ao meu lado não vai mexer comigo ou me roubar coisas, de não pensar num plano B caso o plano principal falhar porque N fatores, de pensar que qualquer atitude "diferente" de uma amiga de longa data não seja um "será que ela não me vê mais como amiga?", que uma pessoa vá comentar da minha aparência ou forma de vestir como deboche, de ter medo de falhar e apontarem o dedo...
Tudo não poderia ser mais simples?
Será que eu tô louca? O mundo tá louco? É loucura pensar que gostaríamos de viver em tempos melhores? Sei que há muitas questões a serem levadas em consideração e ninguém é obrigado a nada.
Viver é uma constante luta e recuperar a simplicidade das coisas e pessoas parece inalcançável.
Olá Moh!!
ResponderExcluirVocê com seus textos fantásticos que nos faz refletir sempre. Bom pelo menos é assim pra mim.
Quando vc falou sobre as crianças terem facilidade para fazer amizades e sobre como para elas e tão simples. Realmente, as vezes fico impressionada sobre isso. Miguel meu filho é autista e tem dificuldade de se comunicar, e os lugares que eu levo ele eu sempre tenho que ficar de olho para que nada nem nigning o machuque. E e incrível quando levo para casinhas e parques com crianças e elas vem brincar com ele sem preconceito nenhum e quando notam que ele e diferente, elas começam a me fazer várias perguntas sobre ele e mesmo assim continuam brincando ali com a gente respeitando os limites dele. E algo realmente incrível. Daí me questiono como que vai ser o mundo no futuro deles se hoje em dia tudo e tão tóxico, existem muitas pessoas egoístas e mundanas demais. É realmente uma situação triste.
E não, não é loucura pensar desse jeito. Não é insanidade pensar e deseja tempos melhores, mesmo que isso seja algo inalcançável. Por que eu mesma penso desse mesmo jeito e sei existe mais gente que anda por esse caminho.
Enfim, vamos continuar desejando um dia melhor. É que ele venha como a simplicidade de uma criança.
Bjinhos 😘
Moh, tudo bem?? ^^
ResponderExcluirEu estava pensando sobre isso algumas semanas atrás o: Eu estava sentada no sofá, distraída com o celular, e de repente ouvi uma risada da minha filha e quando fui ver o que estava acontecendo, ela estava na frente do espelho rindo xp Simples assim. Se divertindo com o próprio reflexo. Mas não foi só esse momento que me fez pensar quando nós perdemos a inocência. Todo dia ela faz algo diferente que faz com eu me pergunte: "quando ela vai perder isso?". É triste, mas eu sei que é inevitável.
Hoje em dia as pessoas estão sempre com medo (e eu não tiro as razões delas), estão sempre com pressa e/ou ocupadas. Acho difícil isso mudar, mas não podemos perder as esperanças <3
Tenha uma boa semana, beijos ~~*